Catch-22 - Joseph Heller, Eduardo Saló Este é um dos clássicos modernos que toda a gente já leu, quer ler ou dizem os entendidos, todos devemos ler pelo menos uma vez na vida. Uma obra fulcral para a literatura norte-americana, que versa sobre a Segunda Guerra Mundial e o mundo da burocracia da autoridade militar. Joseph Heller tornou-se largamente conhecido por ter escrito esta obra e confesso que não tinha grande curiosidade em ler tal obra, a não ser quando comecei a estudar literatura norte-americana. Quando comecei a ler este livro, não o fiz esperando uma obra de grande calibre. Na verdade, não sabia o que esperar e por isso não criei nenhuma expectativa em especial. Mas mal comecei a ler o livro, apercebi-me que este livro iria representar uma leitura de alguma dificuldade. É incrível como é que uma pessoa se consegue aperceber, logo às primeiras páginas, quando certo livro nos vai cativar ou não. A questão é que logo às primeiras páginas soube que não me ia apaixonar por este livro e assim foi. Podia apontar vários factores para que esta leitura não tenha corrido de forma perfeita, mas aquele que mais pesou para mim foi o de não ser a leitura certa no momento certo. Nesta altura do ano, costumo dar preferência a outros livros tal como policiais ou romances mais leves que permitam que a minha mente se descontraia e não clássicos, que em regra são livros que necessitam de mais atenção e de mais disponibilidade emocional. A meu ver, este livro precisava de uma leitura mais disponível e paciente e não foi isso que aconteceu, pelo que a experiência que tive com esta obra revelou-se bem amarga.De facto, achei a leitura morosa, a escrita de Joseph Heller aborreceu-me - não diria de morte, mas esteve lá perto - e infelizmente não consegui entrar no enredo nem liguei muito às personagens. Mas, o que me surpreende é a contrariedade dos meus sentimentos durante a leitura porque embora a escrita e a história em si me tenha aborrecido, também existiram momentos em que eu sabia reconhecer que o autor estava a criar uma situação hilariante e a descrever de forma cómica os acontecimentos mas de alguma forma, o riso não explodia. É como se a parte racional de mim soubesse que x situação deveria ter piada, mas a parte emocional não explodia de riso. É deveras frustrante pensar que um livro pode ter tão pouco efeito em nós. Até este ponto, se tivesse que classificar a leitura, diria que era uma leitura difícil e portanto daria 2 estrelas. (até me custa dizer tal coisa). Contudo, o que pesou mais para a minha classificação geral foi não a escrita, nem o humor, nem os personagens ou enredo, mas sim o Artigo 22 propriamente dito. Na minha opinião pessoal foi essa temática que safou este livro do aborrecimento total. Tenho que considerar que o autor, de uma forma quase banal, traz à luz uma parte importante da nação e cultura norte-americana - aquela que é a instituição militar e a burocracia que envolve todo este poder. Tenho a certeza que todos os países experienciam problemas similares com o nível de burocracia exagerada, mas de alguma forma, lendo este livro, poderíamos sentir-nos tentados a dizer que esse é um problema exclusivamente americano. O ridículo do nível excessivo que existe na burocracia do sistema militar americano é exposto pelo autor de forma caricata, mas incrivelmente eficaz. E por isso, não posso dizer que esta leitura tenha sido uma perda de tempo. Pelo contrário, acredito que podemos retirar sempre alguma coisa de todos os livros que lemos e neste caso pude ver que a guerra e as instituições governamentais têm, no seu seio, muitas situações ridículas e caricatas que nem sempre passam despercebidas aos civis (não deveria caracterizar o autor como sendo civil pois ele fez parte deste sistema militar quando jovem, mas de qualquer maneira é através da sua obra que os civis podem estar a par deste tipo de ocorrências - adaptadas à ficção, claro). aqui