The Kite Runner - Khaled Hosseini Amir tem doze anos e a única preocupação dele são os concursos de papagaios aos quais concorre com todas as outras crianças de Kabul. O seu parceiro de brincadeiras é desde sempre, Hassan, um criado Hazara que cresceu com Amir, como sendo família. O Afeganistão vive ainda numa monarquia e vivem-se tempos de calma, onde as crianças podem correr pelas ruas sem qualquer preocupação. Podem viver, rir e correr, na medida do que seria normal noutro país qualquer. Mas um acontecimento vai mudar tudo isto. Não só o regime político do país irá sofrer uma reviravolta estonteante, como a vida de Amir se vira de pernas para o ar, na questão de alguns minutos. Esses minutos irão assombrar a existência pacífica que leva nos Estados Unidos da América até ao momento em que se dá a possibilidade de voltar a Kabul, à terra da sua infância. É a oportunidade de enterrar os fantasmas do passado e de começar de novo.Este autor tem feito um sucesso incrível no mundo literário não só com esta obra, mas também com as outras duas que se encontram já publicadas em Portugal com os títulos – Mil Sóis Resplandecentes e E As Montanhas Ecoaram. Este seu primeiro livro, The Kite Runner (creio que foi publicado há uns anos pela editora Relógio D’Água mas eu nunca o vi nas livrarias) já conta com uma adaptação cinematográfica e as reviews que tinha lido antes de ler o livro eram, na sua maioria, muito entusiastas. Por isso, o meu interesse em ler este livro já existia antes de ele ter sido o terceiro livro mais votado aqui nesta minha iniciativa.A escrita do autor Khaled Hosseini é muito bonita. Foi logo das primeiras coisas que notei ao começar esta leitura, foi a sua narrativa não só fluída com uma beleza descritiva muito presente. É daqueles livros que temos que parar e rabiscar num papel várias frases, porque tocam qualquer coisa cá dentro e as palavras encaixam na perfeição. Mas não é só a escrita que deixa uma impressão positiva. O enredo, embora não bonito no sentido mais limitado da palavra, é bonito em significado. Não sei se esta frase faz algum sentido, mas esta é uma história triste. É-o e não há maneira de contornar esse facto. Ainda nem tinha chegado a metade do livro e já tinha aberto a torneira das lágrimas. Mas não é por ser triste que deixa de ser uma história bonita, os sentimentos que estão por trás de todo o desespero do regime talibã no Afeganistão. Foi isso que mais me impressionou nesta história. Apesar das personagens terem um destino miserável, a esperança e os sentimentos mais nobres não deixam de existir.Nem tudo é sombras, o leitor consegue vislumbrar o feixe de luz que traz a esperança de dias melhores para estes personagens. Tendo esta história como muleta, o autor consegue também lembrar-nos da realidade assustadora que se vive neste país, fácil de ignorar por vivermos num país tranquilo e seguro.Emocionei-me com as descrições do orfanato e aquilo que acontece aos órfãos, o quão vulneráveis estão estas crianças, sem ninguém que as proteja de forma eficiente. Por vezes é fácil esquecermo-nos que enquanto vivemos um dia sem preocupações, no outro lado do mundo, a mesma noção pode representar a mais distante das realidades e o mais ardente dos desejos.Por fim, acho que é um livro muito interessante para quem gostaria de saber mais sobre a cultura islâmica e sobre o país que já fez várias vezes capa de notícia. Para mim, foi uma leitura enriquecedora em muitos aspectos e valeu muito a pena. Estou muito curiosa para ver o respectivo filme, espero que consiga passar para o ecrã (com a mesma eficiência) o leque de emoções intensas que o livro nos convida a experienciar. aqui