Milagre - R.J. Palacio August é uma criança que tem uma aparência pouco usual. Quando vai à rua com a sua família, é normal as pessoas virarem as cara e olharem para o outro lado, na esperança de esquecerem aquela visão. É que August nasceu com uma deficiência genética rara e a sua aparência distingue-o de outras pessoas. É algo que não passa despercebido, embora a família de August tente levar uma existência o mais normal possível. Tanto que os pais de August decidem inscrevê-lo na escola, para que ele possa ter uma infância como outras crianças têm. Ele, que vai entrar para o quinto ano, verá a sua vida mudar de direcção e terá que superar novos desafios todos os dias, seja explicar às outras crianças porque é que o seu rosto é deformado, seja lidar com preconceitos desde tenra idade. Será para August e para todas as pessoas que o rodeiam, um ano de novas descobertas e muitas batalhas, mas também um ano de aprendizagem e de milagres.Já tinha lido bastantes opiniões positivas a este livro mas foi apenas quando este foi sugerido para a minha rubrica, Desafio dos Leitores, que tomei verdadeira atenção ao mesmo. Decidi lê-lo mais cedo que mais tarde e não me arrependo de tomar tal decisão, pois este livro é uma maravilha. Logo desde as primeiras páginas pressenti que August seria um narrador que apelaria a muitos leitores, pela forma como apresenta o seu dia-a-dia e como lida com os desafio que têm que encarar. Isto porque o seu relato primeiro inspira pena, mas esse é apenas um sentimento passageiro. Na verdade, a história de August inspira admiração e empatia a níveis que é difícil explicar. Embora seja um livro escrito a várias vozes, foi a voz de August aquela que mais me emocionou. Este é daqueles livros que se podem considerar uma lição de vida, por serem tão incrivelmente reais e tão inspiradores. É daqueles livros que nos obriga a considerar o que faríamos nós se tivéssemos na mesma situação. Várias vezes durante a leitura do livro me perguntei como me comportaria fosse eu o August, ou melhor ainda, que atitude teria eu se fosse amiga do August, se fosse professora de o August, se passasse pelo August. Estas são o tipo de perguntas que povoam o meu pensamento quando leio este tipo de livros. Porque apesar de ser um livro que inspira em nós sentimentos de maravilha e admiração pela bondade humana, também é um livro que nos obriga a pensar na crueldade humana e nos valores que nos são passados desde tenra idade, sobre o que é ou não normal. E é interessante pensar e considerar que tipo de seres humanos nos revelaríamos nas mesmas circunstâncias. Porque todos gostamos de pensar que somos bons e honrosos, mas só julgamos verdadeiramente o nosso carácter quando somos confrontados com as situações reais, quando nos acontece a nós. Em suma esta foi uma leitura que puxou muito pelas minhas emoções e é impossível não nos deixarmos encantar pela personalidade de August. E, acima de tudo, é uma leitura que nos dá esperança, que nos mostra que o mundo é bonito quando queremos que ele assim o seja. São as nossas acções que verdadeiramente definem o nosso carácter e são as nossas acções que determinam o comportamento que outras pessoas têm connosco. Foi uma leitura que me mostrou que em vez de esperarmos que o mundo seja gentil connosco, devemos nós ser gentis com o mundo. aqui