O Homem de Sampetersburgo - Ken Follett aquiKen Follett é um dos grandes nomes do thriller e do romance histórico. Em qualquer destes dois géneros literários, o autor dá cartas com os seus livros cheios de acção e com informação histórica precisa e em abundância. A forma como ele mistura o facto com a ficção é também um dos seus grandes talentos. Pegando nos relatos históricos e naquilo que é conhecido, o autor pega em personagens fictícios e insere-os no universo histórico sem qualquer dificuldade, ao ponto de o leitor chegar a pensar “esta pessoa pode realmente ter existido ao lado dos grandes nomes da Humanidade”. Neste livro, O Homem de Sampetersburgo, somos transportados para Londres e para as grandes maquinações políticas entre Rússia e Inglaterra que tentam firmar um tratado que permita à Inglaterra o apoio russo caso os primeiros entrem na guerra. Em troca, Inglaterra promete dar aos russos os territórios dos Balcãs. Os radicais russos que não vêm nesta guerra grande interesse, querem é que a Rússia entre numa das maiores revoluções que a História já viu. E para isso, algo trágico tem que acontecer. Como um assassínio ao diplomata russo que se encontra em Londres em negociações com os ingleses.Durante a leitura deste livro apenas pensava que estas páginas descreveriam a calma antes da tempestade da primeira Guerra Mundial. De calma é que este livro não teve nada. Está recheado de momentos bem intensos e o nível de acção está sempre no máximo.Gostei de várias coisas neste livro. O contexto histórico onde está inserido (gosto tanto de política quanto a Charlotte), as personagens e a escrita do autor – que já é bastante conhecida por estes lados. Como disse antes, a forma como o autor equilibra facto/ficção é verdadeiramente interessante. Manipulando os acontecimentos verídicos, o autor constrói um enredo fictício que nos deixa sempre ansiosos para ler mais. A sua escrita ajuda em muito a que isto aconteça, claro. Um bom enredo sem uma boa escrita não resulta bem.Contudo, confesso que o livro me surpreendeu mais por se ter revelado algo que eu não estava à espera. Quando comecei a ler o livro, esperava encontrar um thriller histórico, com muita política à mistura. E sim, encontrei tudo isso, mas também encontrei umas personagens com uma história de vida muito interessante e que deram uma graça diferente a este livro. De facto, o livro todo ele gira em torno deste homem de Sampetersburgo, que vem tentar assassinar o diplomata russo e assim despoletar uma revolução russa. Um homem que à partida parece um animal, sendo que a única coisa que gere a sua vida são os seus instintos de sobrevivência. Acabei por encontrar e conhecer um homem que, como qualquer outro humano, tem sentimentos e acaba por hesitar na sua missão, trazendo assim consequências graves ao curso da História. E no entanto, este homem tem ligações inegáveis a outras personagens que trazem cor a este relato político de 1914. É um livro rico na dimensão humana e na verdade, quem faz este livro, são os personagens que o povoam. Foi o que mais apreciei neste livro.No entanto, não posso deixar de referir uma coisa que me entristeceu e que embora tenha sido um erro pontual, não deixa de me chatear. Na página 406 encontrei a seguinte frase: ” Faça o melhor que poder (…).” Até doí ver este tipo de erros.Uma leitura muito agradável e que não desaponta.