A Virgem Cigana - Santa Montefiore 3,5 starsEste é o segundo romance da autora Santa Montefiore que leio, sendo que o primeiro foi A Árvore dos Segredos. As expectativas estavam elevadas, devido à estreia fabulosa que tive com ela e por isso estava bastante entusiasmada com este A Virgem Cigana. Este romance conta-nos a história de Mischa e da sua mãe, Anouk que vivem num chateaux em França, ostracizados pela população local, pois Mischa é filho de um alemão. Mischa e a mãe são tratados como traidores pelos habitantes da comunidade e têm uma existência muito complicada e bem exigente. Até que Coyote, um americano, chega à aldeia e muda a vida tanto de Mischa como de Anouk. A música e o amor entra nos seus corações e Coyote é o motor de mudança toda, apesar de todo o mistério e desconfiança que o segue como uma sombra. Há algo de Coyote que ninguém consegue alcançar, nem aqueles que ele diz amar. E essa sombra torna-se notória quando este deixa Mischa e Anouk sem qualquer espécie de aviso. Mischa, que idolatrava Coyote, acaba por crescer com a ideia que foi abandonado sem razão aparente e a raiva entra no seu espírito para dominar toda a sua vida. Quando a mãe morre, deixa para trás uma série de perguntas às quais Mischa vai tentar responder com uma visita emotiva aos fantasmas do passado.A escrita de Santa Montefiore foi algo que me agradou muito no livro anterior e este A Virgem Cigana não foi nenhuma excepção. A forma como ela descreve os cenários é muito apelativa e é impossível não nos deixarmos encantar pelas imagens que ela traz à nossa imaginação. As suas histórias puxam sempre um pouco pelo lado mais emotivo do leitor e isso também ajuda a criar uma ligação especial às jornadas destes personagens fictícios. Este livro passa por vários países - França, Estados Unidos da América e Chile. Para mim, que gosto de ler sobre sítios onde nunca estive, foi um achado. Adorei tentar colocar-me no lugar dos personagens e tentar imaginar as paisagens que a autora pintou para mim. A infância de Mischa foi a parte do livro que mais me emocionou, por razões óbvias. A crueldade está bem presente e é algo muito forte ver como é que os outros habitantes tratam esta criança inocente. Por isso mesmo, senti um orgulho imenso quando Mischa conseguiu ultrapassar os seus traumas. A parte contemporânea, apesar de me ter cativado por causa do mistério que envolveu a vida de Coyote, não teve o mesmo impacto em mim. Tenho que confessar, contudo, que existiram certos pormenores mais para o final desta leitura que me surpreenderam e que foram os responsáveis por manter o meu interesse até ao final. Fiquei apenas um pouco desiludida com a parte romântica. Se não fosse isso, esta leitura tinha-se revelado ser uma bastante interessante em vários aspectos. No entanto, esta escolha da autora em termos românticos foi uma que não me convenceu na totalidade e soube-me a pouco, tendo em conta o resto do livro. Concluindo, foi uma leitura que teve óptimos momentos e outros que ficaram aquém das expectativas. Gostava de ter visto mais desenvolvimento no romance propriamente dito e creio que isso não permitiu no final recordar-me deste livro de uma forma mais intensa ou mais querida. Quero, apesar isso, ler mais livros da autora. aqui