A Filha da Profecia (Trilogia de Sevenwaters, #3) - Juliet Marillier, Irene Daun e Lorena, Nuno Daun e Lorena Depois dos acontecimentos do livro O Filho das Sombras, várias perguntas são deixadas sem resposta. Uma profecia é deixada em aberto, com muitas possibilidades para a sua realização. Este terceiro volume da saga Sevenwaters vem precisamente responder a isso tudo e é de certa forma, um fechar de um ciclo neste universo. Fainne foi criada nas enseadas de Kerry, com apenas o seu pai e os nómadas que passam por ali, como companhia. A sua educação nas artes da magia foi exigente, pois a sua herança é pesada. A sua avó, a temida e muito conhecida Lady Oonagh, tem planos para Fainne. De facto, Lady Oonagh pretende que Fainne impeça que a profecia se realize, na batalha pela conquista das Ilhas, o último lugar sagrado e um espaço essencial para a fé dos que chamam Sevenwaters, casa. Para que isto aconteça, Fainne é enviada para Sevenwaters para conhecer a sua família e assim insinuar-se naqueles círculos. Uma tarefa essencial para a sua missão ser bem-sucedida. Contudo, o que Fainne não estava era que os habitantes de Sevenwaters se insinuassem, eles próprios, no seu coração. E mais cedo do que esperava, será obrigada a fazer uma escolha que irá determinar o resto da sua vida.Foi a partir da minha rubrica Desafio aos Leitores que comecei a ler esta autora, mais cedo do que mais tarde (obrigada leitores, são fantásticos). Como é perceptível, fiquei rendida a esta saga e a este mundo de Sevenwaters, pelo que não tenho feito mais nada se não ler os livros que constituem esta saga. Este é o terceiro volume e o quarto já se encontra em lista de espera, para ser lido muito brevemente. Fiquei especialmente rendida ao segundo volume, Filho das Sombras. O livro tocou-me de maneira especial. Já dizia o povo, no meio é que está a virtude e de facto, consigo perceber porquê. Certo é que depois daquele volume perfeito, as minhas expectativas estavam quase impossivelmente altas e sabia que seria muito difícil este livro suplantar o livro de Liadan e Bran. Conforme esperava, a leitura não se revelou tão boa quanto esperava, mas ainda assim, posso dizer que o mundo de Sevenwaters não me deixa ter descanso. Estou completamente viciada nas tramas deste universo. E fã da autora, que promete fazer-me sentir muito mais coisas com as suas restantes obras. Em termos narrativos, não há nada de novo a acrescentar ao que já tenha dito antes. Juliet Marillier é uma exímia contadora de histórias e a sua narrativa é incrivelmente cativante. Tem momentos de ternura, de aflição, de tensão e de muita acção. Mas sem dúvida, é uma escrita muito emocional que não deixa nenhum leitor indiferente. Isso é notável para mim, pois como leitora, dou muita importância ao facto de conseguir relacionar-me com a história e com os personagens que a constituem. Sentir o que eles sentem, sofrer com eles e amar com eles. É o que, invariavelmente, tem acontecido nesta experiência com a autora. Este A Filha da Profecia não foi nenhuma excepção nesse prisma. A escrita está ao mesmo nível que os anteriores e confesso que estava ansiosa para saber o que este livro viria trazer para Sevenwaters e para a família que guarda este domínio. Estava igualmente ansiosa para rever os meus queridos personagens Liadan e Bran. Este livro tinha particular interesse para mim porque se foca mais na herança de magia que Lady Oonagh deixa aos seus descendentes. Sendo que não foi um prisma explorado noutros livros, estava particularmente interessada em conhecer o mundo da feitiçaria. Este foi um livro que se destacou dos outros por várias razões, uma das quais, exactamente a que mencionei acima. A outra é a heroína, Fainne, que se destaca das outras heroínas que já conhecemos. E confesso que me sinto dividida quanto a Fainne. Por um lado gostei do facto de ela ser diferente. Trouxe várias coisas novas e para mim representou um desafio, pois durante a leitura nunca tive a garantia - a não ser a alguns capítulos do final - de que ela ia fazer as escolhas correctas (embora lá no fundo saiba que a autora não faria tal coisa, por outro lado, a minha leitura emocional revelou ser muito mais irracional no que concerne a esse aspecto). Por essa perspectiva, foi uma heroína que trouxe vivacidade ao enredo e fez com que a leitura fosse feita de uma forma mais intensa, sempre na expectativa. Contudo, apesar de tudo isso, não posso dizer que me senti tão ligada a esta personagem como aconteceu com Liadan ou até com Sorcha. Talvez porque a própria personagem se mantivesse à parte do restante núcleo de personagens. Talvez porque as minhas expectativas eram incrivelmente altas. Poderia apresentar uma lista grande de "talvezes", mas não foi uma heroína que me dissesse tanto e isso acabou por se revelar no final da leitura.Esta leitura também se revelou menos frutífera que a anterior pela falta de interacção entre os protagonistas românticos deste volume. Embora não conteste isto, porque a história acabou por encaixar na perfeição, creio que esperava uma atitude diferente da parte da autora. E no final, soube-me a pouco. Esperava mais da história entre Darragh e Fainne. E confesso que, chegando ao final, por tanto sacrifício que Darragh fez, Fainne teve a sua vida facilitada apesar das tantas recusas que ela proferiu. Por todos esses factores, não posso dizer que este terceiro volume tenha ganha um lugar cimeiro nas minhas escolhas favoritas. Por outro lado, também não posso dizer que tenha ficado indiferente a este livro. E decerto não posso dizer que não quero mais deste mundo, muito pelo contrário. O Herdeiro de Sevenwaters já está na lista de espera, pelo que será dos próximos que lerei. aqui