O Filho das Sombras (Trilogia de Sevenwaters, #2) - Juliet Marillier, Irene Daun e Lorena, Nuno Daun e Lorena Depois de quebrar o feitiço que foi lançado a si e aos seus irmãos, Sorcha pensou que a tempestade tinha passado de vez e que a sua família e as florestas do domínio de Sevenwaters estariam para sempre seguras. Mas algo está para vir, como muito bem sabem os espíritos que residem nas florestas que rodeiam Sevenwaters. Liadan sente o mesmo e mesmo à frente dos seus olhos, vê a sua família desintegrar-se, afundados em segredos, meias-verdades e histórias mal explicadas. Novas alianças são criadas e novos planos para reconquistas as Ilhas são estudados. Vivem-se tempos complicados e instáveis. É na sua jornada de regresso a casa, após ter acompanhado a sua irmã Niamh ao seu novo rumo, que Liadan é raptada por vários homens que lhe exigem que cure um dos seus companheiros que ficou ferido com bastante gravidade. É nestas circunstâncias que Liadan (que promete fazer o possível pelo ferido) conhece o temido Homem Pintado, conhecido em toda a Irlanda e arredores por ser um mercenário, sem qualquer tipo de bom-senso ou julgamento. Todos o temem. Liadan contudo, rapidamente se apercebe que talvez este homem é injustamente julgado. E quando realmente começa a conhecer o homem que se encontra por detrás das suas tatuagens, apercebe-se que algo a liga a este homem. Algo mais profundo do que amor. É uma ligação antiga, de tal modo, que Liadan sabe nas profundezas do seu coração que pertence a este homem. Mas, a vida que o Homem Pintado leva, não permite afectos duradouros e assim Liadan acaba por ter em mãos uma escolha impossível - ficar com o homem que ama mas sofrer com isso, ou voltar a casa, onde sabe que pode levar uma vida feliz mas incompleta?Este é o segundo volume da trilogia/série Sevenwaters (ou aquilo que originalmente era uma trilogia, mas que entretanto se transformou numa série). A minha primeira experiência com esta autora fez-se com o livro A Filha da Floresta, precisamente o primeiro volume da saga que gira toda ela, à volta do domínio de Sevenwaters. A protagonista do primeiro é a Sorcha e a protagonista deste segundo é a sua filha, Liadan. Tendo adorado a primeira experiência em Sevenwaters, encontrava-me ansiosa para voltar a este mundo de fantasia rico e detalhado. Comecei a leitura com altas expectativas e com receio que este volume pudesse revelar-se não ser tão bom quanto o primeiro. E acabei por apaixonar-me por este livro. De tal modo que se tornou um dos meus novos favoritos, uma lista que este ano tem crescido com alguma rapidez. Este livro tem tudo o que eu procuro numa leitura perfeita. Um enredo cativante, um imaginário muito bem estruturado, descrições lindíssimas, ricas e detalhadas, contexto cultural, misticismo e ouro sobre azul - uma belíssima história de amor com personagens fortes e vulneráveis ao mesmo tempo. A escrita de Juliet Marillier já me tinha surpreendido no livro anterior, por ser uma narrativa complexa, que desenvolve com vagar. Mas é uma escrita que nos envolve sem igual. Entrar num livro de Juliet faz-me lembrar a hesitação em entrar na água do mar, quando esta está fria. Começamos por molhar os pés e aos poucos entramos na água, tentando fazer com que o corpo se habitue à temperatura. Quando damos por nós, já mergulhámos e a água estão tão boa que não queremos sair mais. É assim que me sinto quando abro um livro da autora. Envolvida, sem vontade de sair deste mundo.Em termos narrativos, não podia estar mais satisfeita. A autora mostra dedicação a criar um universo tão rico e creio que poderia viver em Sevenwaters, para sempre felicíssima da vida (mesmo que isso implique algumas confrontações com as criaturas encantadas). Contudo, este segundo volume foi mais especial para mim do que o anterior. Achei que a história foi mais intensa, mais emocional e todo o livro demonstra uma tensão, um equilíbrio muito delicado entre aquilo que é e o que de um momento para o outro, pode vir a ser. É impossível não começar a roer as unhas ao pensar nas várias possibilidades. E a autora lida muito bem com isso. Vai, durante todo o livro criando expectativa e deixa o leitor num estado de ansiedade tal, à procura de respostas, quase até ao final do livro. O casal que protagoniza este livro, Liadan e Bran, é algo indescritível. Vivi as emoções deles a cada capítulo, a cada palavra. Angustiei com Liadan e sofri com ela. Quando um livro nos faz sentir tanto em tão poucas páginas, é porque é realmente algo especial.Fiquei deliciosamente viciada nos livros desta autora e ao acabar este segundo volume, só conseguia pensar que tinha de ler o terceiro, porque é impossível aguentar sem saber o que virá a seguir. Sinceramente, nunca esperei vir a gostar tanto dos livros desta autora, mas creio que provavelmente fiquei a conhecer as suas obras na altura certa. Além da escrita e do ambiente em que estas obras nos envolvem, gosto particularmente da possibilidade de acompanhar a família de Sevenwaters por diversas gerações. Como leitora, não resisto a sentir que estou a crescer com esta família, a acompanhar cada nova geração a cada novo desafio. É um bom sentimento e apenas um dos factores que mais me faz adorar estes livros. Um livro para reler, sem qualquer dúvida. Muitas e muitas e muitas vezes. Adorei cada página deste livro. E claro, já passei para o terceiro, como é óbvio. aqui