The Pillars of the Earth - Ken Follett 4,5 stars Ken Follett é um dos grandes autores da actualidade. Muitos (incluindo eu própria) começámos por reconhecer a mestria do autor nos policiais e nos thrillers que ele constrói, mas Follett é um autor com várias facetas e por isso mesmo, durante anos desejou entregar às tramas históricas. Quando finalmente se decidiu arriscar, Os Pilares da Terra foram o seu primeiro romance histórico. E o primeiro de muitos que fizeram sucesso a nível mundial. Follett tornou-se não só então, um conhecido e reconhecido autor de policiais mas também como romancista histórico. Tendo já lido os dois volumes, considerei que faria mais sentido publicar apenas uma opinião (visto que isto é apenas uma obra e não duas). Os Pilares da Terra, publicados em Portugal pela Editorial Presença e divididos em dois volumes, conta-nos a história sobre a catedral de Kingsbridge. Mas desenganem-se aqueles que pensam que a história gira apenas à volta de tal catedral. Apesar de a edificação ter um papel central na trama, pois é ela que move os interesses dos personagens, esta obra é toda ela um conjunto de pequenas tramas e de personagens com as mais variadas motivações. Contudo, a história começa quando Tom, um pedreiro que sonha um dia vir a construir a sua própria catedral se debate para encontrar um emprego a reconstruir igrejas das terras por onde passa. Com dois filhos para sustentar, Tom vê-se numa situação complicada após a morte da sua mulher no parto. Por isso mesmo, Tom, acaba por chegar à vila de Kingsbridge, que tem uma catedral que necessita de alguns reparos e restauros. Tom, apesar de não ter esquecido o sonho de construir a sua catedral, sabe que tem que aproveitar a oportunidade que lhe é concedida, se quiser dar de comer aos seus filhos. Além disso, a catedral foi amor à primeira vista. Esta edificação gótica, típica da arquitectura europeia do século XII, é não só enorme como tem uma aura inexplicável à sua volta que conquista os habitantes e os demais visitantes daquela cidadela. Assim, o leitor acaba por se envolver nesta que é uma aventura épica, onde a construção de uma catedral consegue mover toda uma população. Estamos num período conturbado da história do Reino Unido e a política anda de mãos dadas com a Igreja e Os Pilares da Terra acabam por mostrar ao leitor como é que a vida quotidiana no século XII era e consegue, de uma forma absolutamente fantástica, transportar-nos até essa mesma época. Quanto aos personagens, o autor conseguiu criar um leque variado de personalidades muito grande e todas elas com alguma coisa interessante para mostrar. De uma complexidade (a)normal, Follett acabou por me fazer crer que estas são personagens que eu gostaria de ter conhecido e no entanto, acabou por me dar uma sensação de familiaridade com os mesmos. Senti uma ligação bastante grande a Tom e à sua família, bem como a Aliena. Todos os restantes personagens, mesmo com os vilões, consegui sentir alguma ligação e ao acabar o livro (e até mesmo durante o decorrer da leitura) senti-me algo triste por ter que dizer adeus a vários deles. Considerando este um livro com alguma extensão, há que referir a mestria do autor na narrativa que construiu. Com livros grandes é preciso sempre que o autor saiba como cativar o seu leitor, pois de outra forma, corre o risco de o aborrecer e de o desinteressar na história que tem para lhe contar. Por isso mesmo, um livro tão grande tem que ter uma estrutura muito bem pensada, já para não falar da construção da narrativa.Embora eu seja uma leitora que gosta bastante de calhamaços, confesso que por vezes ao olhar para o número de páginas de um livro me torno algo céptica. Isto porque tenho sempre algum receio de que o autor perca a perspectiva e aquela que poderia ser uma grande obra, acaba por se revelar muito mediana. Por isso mesmo e apesar de eu abraçar estas leituras extensas com bastante entusiasmo, tento não elevar muito as minhas expectativas. Mas Ken Follett mostrou saber como cativar o leitor com a sua narrativa, com a sua trama e enredo e com os seus personagens e em nenhum momento da leitura achei que estava aborrecida ou a perder o interesse. A prova que tenho disto é que após ter lido os dois volumes em português, adquiri o volume original em inglês e reli esta aventura épica novamente, como se fosse a primeira vez. Não posso descrever esta obra com outro adjectivo que não esse, porque esta é de facto uma aventura sem igual e que não deixa nenhum leitor indiferente. É sem dúvida, uma das melhores leituras deste ano e um livro que pretendo guardar com muito carinho e admiração. Acredito também que será uma obra para reler (nem que seja apenas algumas passagens para matar saudades) porque vale a pena a viagem. Não interessa o número de vezes que a façamos, irá sempre parecer a primeira. Uma obra inesquecível e uma leitura que não podem deixar para trás!