O Regresso do Assassino (O Regresso do Assassino, #1) - Robin Hobb, Jorge Candeias Originalmente visto aqui 15 anos após os acontecimentos d' A Saga do Assassino, Fitz e companhia voltam a relatar-nos as aventuras no reino dos Seis Ducados. Depois do conturbado final do livro A Demanda do Visionário, Fitz Cavalaria decide viver em reclusão. Poucos são os que não o dão como morto e portanto, o bastardo da linhagem dos Visionário, vive uma vida recatada na sua cabana com o seu lobo Olhos-de-Noite e o seu aprendiz Zar. Se por vezes, Fitz sente vontade de voltar a Torre de Cervo para a sua vida antiga, rapidamente destrói o sentimento de melancolia e convence-se de que a sua vida está exactamente da maneira que ele deseja. Pela primeira vez na sua vida, pode tomar decisões por si e é apenas a si próprio que tem de dar justificações das suas acções. Apesar de tudo, as saudades dos tempos em que vivia em Torre de Cervo não podem ser negadas e quando Fitz recebe a visita de Breu na sua humilde casa, a vontade de voltar para Torre de Cervo torna-se um pensamento constante no seu espírito quando este recusa o pedido que Breu lhe faz para ensinar a magia do Talento ao herdeiro da coroa Visionário, sob pretensa de não desejar ver-se envolvido na política dos Seis Ducados novamente.Contudo, a escolha é-lhe retirada das mãos quando o herdeiro desaparece inesperadamente a escassas semanas da cerimónia do seu noivado que irá firmar uma importante aliança entre os Seis Ducados e as Ilhas Externas. Fitz vê-se então arrastado para os cenários da sua infância, onde memórias com 15 anos de idade o assaltam e antigos instintos voltam à superfície. A sua missão é encontrar o príncipe Repeitador e trazê-lo de volta a Torre de Cervo antes da cerimónia de noivado, mas nem tudo é tão fácil como parece, pois este desaparecimento do príncipe esconde alguns mistérios... Depois de ter ficado insatisfeita com o final d' A Saga do Assassino, reservava algumas esperanças e expectativas para esta nova série O Regresso do Assassino, protagonizada mais uma vez, pelo Fitz, desta feita 15 anos mais maturo. Sendo este um livro com proporções consideráveis, devo dizer que fiz a transição para o novo ano a ler este livro. Comecei a lê-lo em 2012 e acabei em 2013. Confesso que me foi algo difícil entrar na narrativa. Há praticamente um ano que não lia nada desta autora e ela tem um estilo de escrita muito próprio, algo pesado para quem não está habituado a este tipo de discurso e portanto as primeiras 100 páginas foram, para mim, um período de adaptação. Até cheguei a ficar com receio de mudar a minha opinião quanto aos livros desta autora, mas após estas primeiras 100 páginas, a leitura começou a revelar-se mais agradável e mais fluída.O que constituiu um enorme alívio para mim, pois esta autora foi a primeira a mostrar-me o lado bom do género fantástico. Quanto à escrita, não há nenhuma surpresa, portanto. A narrativa continua lenta, com um desenrolar lento, bastante descritiva e um discurso muito introspectivo. O narrador é o Fitz e apesar de estar 15 anos mais envelhecido, ainda continua com os mesmo problemas existenciais de sempre e com os mesmos assomos de criancice. Este pormenor não me deixou satisfeita de maneira nenhuma. Parece-me algo irreal que esta personagem tenha crescido e amadurecido, mas que ao mesmo tempo, ainda é o bastardo imberbe que conhecemos na primeira série. Esperava que a autora tivesse desenvolvido esta personagem de uma forma mais aceitável e mais realista. Contudo, gostei bastante de voltar a este universo. Ultrapassando estas crises do Fitz e o período inicial em que tive de me re-habituar à escrita de Robin Hobb, esta foi uma viagem que apreciei e muito. Os leitores têm oportunidade de relembrar vários acontecimentos da série anterior e tem igualmente a oportunidade de ver os personagens que tanto marcaram os livros anteriores, tal como o Breu, o Bobo e o Olhos-de-Noite. É notável a forma como o reino dos Seis Ducados se expandiu e prosperou após o conflito da Guerra dos Navios Vermelhos. O reino prosperou, mas em certos aspectos, tornou-se mais rude e mais ignorante. Os Manhosos são, cada vez mais, mal tratados na via pública e são alvo de torturas e de injustiças que ninguém se dá ao trabalho de chamar à atenção. São perseguidos como os animais a que se vinculam e esta sombra de injustiça ameaça dividir o reino inteiro dos Seis Ducados. Gostei imenso do enredo do livro. Sempre demonstrei interesse em saber mais sobre as magias do Talento e da Manha e creio que este livro se focou primariamente nestes dois assuntos para meu júbilo, pois é uma das coisas que mais gosto nesta série. Paralelamente ao enredo principal, temos a relação entre o Bobo e o Fitz, que está muito evidente neste primeiro volume. O Bobo sempre foi uma personagem muito misteriosa e nunca se soube muito sobre ele. Falando por enigmas, esta é uma das personagens mais importantes deste universo, ainda que à partida possa não o parecer. Um dos maiores mistérios para mim na primeira série sempre foi aquela relação algo disfuncional entre o bastardo Fitz e o bobo do Rei Sagaz, Bobo. Neste livro pude saciar um pouco a minha curiosidade e perceber melhor o sentimento que os liga, embora não possa dizer que me encontro plenamente satisfeita. Creio que a autora terá obrigatoriamente que voltar a estes dois. De forma geral posso dizer que agora que retornei a este universo, percebo o que me atraiu à partida. É um universo com tantas facetas, com tantos pormenores, com tantos detalhes descritivos e com tantos personagens interessantes, que vale a pena seguir de perto a jornada de cada um deles. A autora volta a deixar-me com inúmeras perguntas às quais desejo respostas, urgentemente. Desejo saber mais sobre o príncipe Respeitador e sobre o futuro deste reino, nesta que é uma nova era na história dos Seis Ducados.