A Sedução - Nicole Jordan Giro e tal. (http://labirinto-livros.blogspot.com/2012/03/seducao.html)Nicole Jordan é mais uma autora de romances de época que descobri recentemente. As minhas apostas neste género têm-se revelado bastante satisfatórias e por isso, foi com algum entusiasmo que mergulhei na leitura deste A Sedução.Confesso que para mim este género de leitura, é uma indulgência; isto porque são livros leves, que me permitem descansar a cabeça e deixar levar-me por um ambiente de romance e sensualidade. É este ambiente que permite uma leitura sem expectativas, sem grandes floreados e melhor que tudo, sem exigências. São livros que me servem o propósito de entretenimento e que me permitem passar umas boas horas, sem ter que analisar ao pormenor aquilo que estou a ler e reflectir em profundidade sobre aquilo que leio. É uma maneira de abrir os meus horizontes literários e poder descansar a mente com leituras menos exigentes. Mais uma vez, fiz uma visita à sociedade londrina do século XIX, em que o deboche e a sensualidade parecem ser uma constante em tudo. De tal forma, que o libertino bonito e rico, não poderia faltar nesta história. Desta vez, o dito cujo é Damien Sinclair, mais conhecido como Lorde Sin - de facto, todo o seu estilo de vida poderia ser considerado como um pecado e por isso a sua alcunha é mais que apropriada.Depois da morte dos seus progenitores, Damien fica encarregue da educação da sua irmã mais nova, Olivia. Este decide instalá-la no campo, com a companhia de criados e assim a consciência fica tranquila. Até ao momento em que recebe a notícia que a irmã, numa tentativa de rebeldia, sofre um acidente que a deixa paralisada do tronco para baixo. É que a sua jovem irmã sentia-se presa a uma existência sem significado e deixou-se encantar pelo atraente Aubrey, que acabou por iludir a ingénua Olivia. Damien jura vingança e promete levar Aubrey à ruína pessoal, como paga pelo que fez à sua irmã. Até que conhece Vanessa, irmã de Aubrey, que tenta convencer o infame Lord Sin a perdoar as dívidas do seu irmão insensato. Aqui está a vingança perfeita: Lord Sin faz um acordo com Vanessa. Esse acordo consiste no esquecimento das dívidas de Aubrey se Vanessa aceitar tornar-se sua amante. E todos nós sabemos o que isso significa para a reputação de uma senhora viúva na sociedade desses tempos. Nicole Jordan conseguiu com este livro construir uma história com pés e cabeça, com divertimento, tragédia e muita sensualidade. Tem uma escrita muito fluída e coerente, pelo que as páginas passam por nós sem termos consciência. A sua ideia começou muito bem, com a tragédia da Olivia e o problema da sua recuperação, mas à medida que fomos avançando no enredo, a autora acabou por dar mais importância à quantidade de cenas sensuais, do que a qualidade - a segunda é sempre, em qualquer circunstância, melhor que a primeira - o que ultimamente foi o responsável por não ter conseguido apreciar de melhor forma a obra. Apesar de tudo, a autora criou um enredo interessante e umas personagens igualmente cativantes. Embora tivesse gostar de ver mais desenvolvimento nas mesmas, aquilo que a autora mostrou foi o suficiente para criar empatia e para sentir simpatia pelos protagonistas e pelos personagens secundários. Tenho pena que a autora não tenha explorado de forma mais significativa a história de Aubrey e de Olivia: foi tudo muito apressado e embora sendo eles um casal secundário, mereciam uma atenção mais dedicada. Senti que a autora queria apenas cortar pontas soltas e por isso, sobressaiu algum desleixo no tratamento destas personagens.Quanto aos personagens principais, não posso dizer que esteja desiludida, mas também não estou surpreendida. Foi um bom romance, tirando o pormenor que já referi acima, e deu para me pôr a sorrir.Em suma, Nicole Jordan não me trouxe nada de novo ao mundo dos romances de época, mas conseguiu manter-me entretida por umas boas horas. Mais importante que tudo, contou uma história com final feliz, que confesso, sabe sempre bem ler. Este é o tipo de livro que deve ser lido sem esperar que ele seja uma obra de arte, mas sim como doce entretenimento. Conseguiu alcançar o seu propósito, mas não me conseguiu surpreender.