Dracula - Bram Stoker, David Rogers Drácula foi uma leitura interessante. Confesso que não foi bem o que estava à espera – se bem que foi mais por culpa de ter criado falsas expectativas ao ler O Historiador, de Elizabeth Kostova. No entanto, encontrei várias semelhanças ou não fosse a autora ter tomado como “guia” esta obra.Enquanto penso e pondero na opinião com que fiquei desta obra, permitam-me fazer notar que para um clássico da época em que foi escrito – 1897 – está um excelente livro. Os primeiros pormenores que gostaria de salientar são:A escolha do autor para relatar os acontecimentos sob a forma de entradas de diário das personagens que estão envolvidas no enredo. É para mim um relato mais intimista, porque aproxima o leitor que seria um mero observador para uma posição mais participativa. Outra vantagem é o facto de vermos várias perspectivas do mesmo acontecimento. E perceber o que é que cada personagem está a sentir. No entanto, trouxe para mim uma desvantagem clara, que é tornar-se um relato muito redundante e que traz incoerência na linha temporal dos acontecimentos. Outro dos pormenores que achei de relevância no livro são as oscilações de ritmo na escrita. O livro é empolgante em todo o relato do Jonathan Harker. Ficamos ansiosos para saber o que lhe acontecerá, mas depois o livro perde ritmo.E a escrita só ganha fôlego e paixão quando o Conde Drácula aparece em cena. Talvez noutro livro, noutro enredo não consideraria isto um ponto de desvantagem, porque qualquer livro pode ter diferenças de ritmo e não é por isso que uma leitura se torna desagradável; mas é um ponto desvantajoso porque as mudanças de ritmo são tão acentuadas que fiquei com a sensação de que só quando o mau da fita aparecia é que a leitura me intrigava e que me impelia a ler, a querer saber, a querer descobrir. É que me conquistava.No entanto, todo o conteúdo contextual acerca do Conde e das particularidades dos vampiros foi uma leitura agradável – foi bom constatar a visão “futurista” do autor. Digo futurista, porque hoje em dia toda a gente sabe escrever sobre este tema. Mas na altura em que este livro foi escrito, apesar de não ter sido o primeiro, é um dos pioneiros do tema que é actualmente sensação.E por fim, achei o final um pouco previsível demais. Previsível, mas necessário para o bem da sociedade inglesa – e mundial se quisermos ser mais ambiciosos.Fiquei com uma opinião positiva. Recomendo a leitura, até porque é sempre bom termos uma mente aberta e sabermos apreciar as obras de arte dos nossos antepassados e neste caso específico, experimentar novas realidades.