Uglies (Uglies, #1) - Scott Westerfeld Este volume marca o início de uma série intitulada Uglies que nos fala sobre uma sociedade que está dividida por pessoas imperfeitas e por aquelas que são perfeitas. Cada criança, aos 16 anos, é sujeita a uma operação que os muda fisicamente e os torna concordantes com aquelas que são reconhecidas como directivas de beleza. O conceito de belo é estipulado por um comité que acaba por ser responsável pelas operações que se fazem a estes adolescentes a partir dos 16 anos. O mundo dos belos e dos perfeitos é um mundo que torce pela igualdade em todos os aspectos, mesmo na conformidade física entre eles. A genética é algo que deixa de controlar o ser-humano.Mas o que é ser belo? O que é ser perfeito? Significa termos feições simétricas? Não será o conceito de belo algo relativo e mutável? Será a beleza algo exterior apenas não tendo em conta o que está por detrás de toda a aparência exterior? Será que ser belo significa não conseguirmos pensar por nós próprios, que temos de encaixar em certos parâmetros? Confesso que estava muito curiosa para conhecer não só esta série mas também este autor, por já ter lido tantas opiniões positivas dos livros dele. Este livro até ganhou alguns prémios pelo que esperava algo extraordinário daqui. Embora tenha verdadeiramente gostado do mundo que o autor aqui nos apresenta, acho que ficou a faltar qualquer coisa ao livro. Foi uma leitura agradável quanto baste, mas não foi o suficiente para me deslumbrar. O ponto mais forte deste livro é mesmo o universo. Um mundo em que apenas somos alguém quando somos perfeitos é um mundo assustador. Ao longo desta leitura, perturbou-me a veracidade desta afirmação e o facto de podermos descrever a nossa sociedade desta maneira, pelo menos até certo ponto. Fez-me verdadeiramente ponderar a importância que hoje em dia se dá às aparências. Cada vez mais na verdade. Embora possamos dizer que a beleza vem do interior (e vem) também sabemos que o exterior tem um certo apelo para todos os nós e não é possível dissociar-mo-nos disso. É totalmente inegável, seja em que ambiente for. Acho que o autor colocou a nu muitas verdades sobre a nossa sociedade, sobre a pressão que é posta nas pessoas para serem lindas e perfeitas e para encaixarem num molde típico de beleza. A ler este livro senti esse sentimento de sufoco, de tentar pertencer, de ser. O livro está poderoso nesse aspecto e como disse e volto a repetir, é a melhor neste volume.Por outro, as personagens foram uma desilusão. A Tally desiludiu-me várias vezes como protagonista, sinceramente. Logo à partida pareceu-me muito fraca e com uma personalidade muito fútil e embora o desenvolvimento durante o livro tenha sido notório (até acabando por me surpreender no último capítulo) ela não seria a minha escolha para melhor protagonista. De facto, não existiu nenhuma personagem que me tenha saltado à vista. O único que pode ser considerado o melhor do lote é o David e mesmo assim, muito pouco gostei daquela atitude de rapaz indeciso entre duas raparigas, a tentar fazer um-do-li-tá. A escrita é agradável o quanto baste, mas devo dizer que não foi uma narrativa que me tivesse tirado do sério. Apontei uma frase, que achei que condensa este livro na perfeição, mas não posso dizer que o livro tenha convidado a uma leitura compulsiva. Foi antes uma leitura fluída mas com alguns momentos de aborrecimento. O último capítulo foi realmente surpreendente e aquilo que mais me inclina para continuar a série. Sei que este mundo ainda tem várias coisas para mostrar e não posso deixar de me mostrar curiosa com o futuro, mas também sei que esperava mais. "What you do, the way you think, makes you beautiful."~ Scott Westerfeldaqui