O Verão das Nossas Vidas - Luanne Rice, Carla Morais Pires (http://labirinto-livros.blogspot.pt/2012/09/o-verao-das-nossas-vidas.html)A família pode ser um organismo muito frágil sem darmos por isso...Lyra abandonou as suas duas filhas e o seu marido há uma década. Atrás dela, deixa um rasto de destruição. As filhas, Pell e Lucy, não conseguem lidar com a partida abrupta da mãe e necessitam da ajuda profissional de psicólogos, até que possam aceitar que a mãe delas já não faz parte das suas vidas. Estas duas meninas, que hoje são já adolescentes conscientes - Pell com 16 anos e Lucy com 14 - acabam por nunca aceitar completamente o abandono da sua mãe e acabam por se habituar a que o pai delas seja tenhas as duas funções: a de pai e a de mãe. Contudo, após a morte do pai, devido a um tumor cerebral, Pell decide ir visitar a mãe ao refúgio que encontrou há tantos anos atrás - Capri. O objectivo é (re)conhecer a sua mãe e perceber o porquê de ter abandonado as suas pequenas filhas e o seu marido. Mas acima de tudo, é tentar fazer que a sua mãe volte a fazer parte da sua vida e da da sua irmã, agora que estas se encontram sozinhas no mundo. Em Capri, vai encontrar mais do que esperava e perceber que nem tudo aquilo que nos dizem é uma verdade incontestável...Este é o segundo livro que leio da autora Luanne Rice. A minha estreia fez-se com o livro O Último Beijo, do qual gostei imenso. Contudo, nunca mais se apresentou a oportunidade de ler mais livros desta autora, pelo que há dois anos que não lia nada dela. No blogring, acabei por ter oportunidade de (re)encontrar esta autora e a experiência não me desiludiu de nenhuma forma. As recordações que tinha da minha estreia vieram todas à superfície e acabei por gostar tanto desta leitura quanto gostei do primeiro livro que li dela. A escrita da autora é leve, agradável e exactamente aquilo que se pede para descontrair a mente. Num registo simples, a autora apresenta-nos uma história sobre amor, sobre perda, sobre famílias, mas sobretudo, uma história sobre perdão. Gostei do enredo e da história, de tal forma que rapidamente esta leitura me consumiu. Li o livro em três tempos e apesar de ter adivinhado a forma como as coisas se passariam, a história encheu-me as medidas. Contudo, o mesmo não posso dizer sobre os personagens. De facto, acho que estes eram pouco credíveis e estavam mal explorados. Difilmente diria que Pell e Lucy, tinham, respectivamente 16 e 14 anos e custa-me acreditar que crianças com esta idade sejam tão adultas mentalmente quanto a autora quis fazer parecer. Não esquecendo que eu já passei por essa idade, isso parece-me muito irreal. Mesmo tendo em conta que estas crianças não tiveram uma infância despreocupada, acho que a autora exagerou muito na personalidade matura destas pequenas adolescentes. Por outro lado, viu-se perfeitamente o quão imatura Pell foi, tendo em conta a atitude que teve com o seu namorado, Travis. Ou mesmo a atitude de criança mimada que teve com a mãe, quando esta lhe contou uma verdade indesejada sobre o pai que tanto idolatrava. Enfim, esta inconsistência de caracter acabou por me chatear sobre maneira e o facto é que a história acabou por perder devido a Pell, que nem merecia ter sido a protagonista deste livro. Acho que a história teria ganho mais consistência e conteúdo tendo a Lucy como protagonista, visto que foi ela que se apercebeu da realidade que esta família vivia logo desde cedo e foi a única no agregado familiar que não vivia com palas nos olhos. No entanto, no geral, acabei por ficar satisfeita com esta leitura, principalmente com o cenário a que o leitor teve direito. Capri é uma ilha deliciosa e as descrições que a autora fizeram deixaram-me com água na boca. Apeteceu-me largar tudo e voar até Itália, onde poderia ir ver tudo aquilo, mas ao vivo. Imperdível.Uma forma muito agradável de nos despedirmos do verão.